Toy Story 5 e o colecionador adulto: o que o filme diz sobre quem nunca largou os brinquedos
Em 23 de setembro de 2026, Toy Story 5 chega ao Disney+ — no mundo todo e no Brasil, direto no catálogo, sem aluguel. É o encerramento de um percurso que começou nos cinemas brasileiros em 18 de junho e terminou com US$ 1,142 bilhão de bilheteria, a maior da franquia.
Mas o que interessa aqui não é a bilheteria. É o enredo — porque, pela primeira vez, a Pixar escreveu um filme que fala diretamente sobre a pergunta que todo colecionador adulto já ouviu de alguém da família.
Desta vez o vilão é um tablet
A franquia já teve um menino que destruía brinquedos, um colecionador que trancava o Woody numa caixa e um urso de pelúcia rancoroso comandando uma creche. Em Toy Story 5, o antagonista é a Lilypad: um tablet infantil com carinha de sapo que entra na casa da Bonnie e reorganiza a atenção da criança.
A ideia não é nova dentro da Pixar. Quando Andrew Stanton anunciou o projeto na D23, apresentou o filme junto de uma arte conceitual em que os brinquedos observavam, de baixo da cama, uma criança absorvida por um tablet. A plateia riu. Dois anos depois, virou o filme.
Stanton dirige com codireção de McKenna Harris, e assina também o roteiro. Ele escreveu ou coescreveu todos os cinco filmes da série desde 1995, e a trilha é de Randy Newman, como sempre foi. São 102 minutos.
A ironia de 2 bilhões de horas
Aqui está o detalhe bom demais para deixar passar: segundo a própria Disney, os filmes de Toy Story somam mais de 2 bilhões de horas assistidas no Disney+, o que faz dela a franquia cinematográfica mais vista da plataforma.
Ou seja: a série de filmes que mais prende gente na tela é justamente a que conta, há trinta anos, a história de brinquedos sendo esquecidos por causa de uma tela. O filme sobre perder a atenção da criança para um dispositivo vai estrear num dispositivo.
Não é hipocrisia — é só a forma mais honesta de contar essa história hoje. E explica por que o filme funciona melhor com adulto do que com criança.
O público que fez o caminho contrário
Tem uma leitura do filme que só quem coleciona faz.
Os quatro primeiros Toy Story são sobre perda: o brinquedo que é deixado de lado, doado, esquecido no sótão. É a infância acabando, vista do ponto de vista de quem fica na caixa. Por isso a franquia sempre doeu mais nos pais do que nos filhos.
Só que existe um grupo de pessoas para quem essa história teve outro final. Gente que cresceu, trabalhou, montou uma casa — e então comprou de volta. Não para brincar: para exibir. A estante substituiu o chão do quarto, o blister virou parte do objeto, e o brinquedo deixou de ser sobre a criança que foi para virar sobre o adulto que é.
É por isso que colecionar não é nostalgia preguiçosa. É uma forma de recusar a premissa do filme.
O que temos de Toy Story na loja
Os Hot Wheels Character Cars transformam personagens em miniaturas 1:64 — cada carrinho carrega os traços do personagem na carroceria, no capô, nas rodas. Não é um carro com adesivo: é o personagem em forma de carro.
Temos seis de Toy Story disponíveis:
- Woody — chapéu esculpido no teto e a corda das costas virando detalhe da lateral
- Buzz Lightyear — verde e branco, com as asas abertas sobre a traseira
- Bo Peep — azul claro conversível, com o cajado formando a lateral
- Forky — o garfo virando chassi, talvez o design mais estranho da linha
- Duke Caboom — vermelho e branco com a folha de bordo no capô
- Ducky and Bunny — os dois de pelúcia num carrinho só
Vale um detalhe para quem coleciona por filme: quatro desses seis personagens — Forky, Duke Caboom, Ducky e Bunny — estrearam em Toy Story 4. Se você monta coleção por longa, esse conjunto é praticamente a linha do quarto filme inteira.
Todos estão reunidos em Hot Wheels · Character Cars · Toy Story. Se o seu interesse é Disney de forma mais ampla, vale olhar também os Ícones Disney e as cartas de Disney Lorcana — The First Chapter.
Antes de dar play na sexta, dá uma olhada na prateleira.
Fontes
Disney+ (página oficial de Toy Story 5 e dados de horas assistidas), Exame, Olhar Digital, Guia Disney+ Brasil, UPI, TheWrap e Laughing Place (cobertura da D23), Wikipedia (ficha técnica e bilheteria).
